UM DEFEITO DE COR: O MEMORIAL DE KEHINDE

Autores

  • Jesuino Arvelino Pinto Universidade do Estado de Mato Grosso-UNEMAT
  • Carlos Alexandre Manoel Universidade do Estado de Mato Grosso-UNEMAT
  • Suelen de Sousa Tessari Universidade do Estado de Mato Grosso-UNEMAT

DOI:

https://doi.org/10.30681/rln.v17i48.12689

Palavras-chave:

Ana Maria Gonçalves, Memória, História

Resumo

Este artigo propõe uma reflexão acerca da literatura afro-brasileira, a partir do romance Um defeito de cor (2006), de Ana Maria Gonçalves, enfatizando a recuperação da memória coletiva como estratégia narrativa. Ao privilegiar aspectos da ancestralidade africana e da atualidade da narrativa, objetivamos desvendar, na arquitetura da obra, seus motivos temáticos centrais e os aspectos formais em que se percebe o diálogo entre os temas históricos e a contemporaneidade. Um defeito de cor é centrado na personagem Kehinde, uma africana idosa, cega e a beira da morte, que, no final do século XIX, viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. No percurso da memória, fatos históricos, como a Independência do Brasil, em 1822, e a Revolta dos Malês, em 1835, estão imersos no tempo e espaço das personagens, contextos que permitem a recriação da saga verossímil da história de Kehinde e de todos os negros que representam a diáspora africana em território brasileiro. Para discutir questões relacionadas à memória no romance, tem-se como embasamento teórico, Halbwachs (1990), Le Goff (2003), Bauman (2005), Ricouer (2007), Candau (2019) e Hall (2003 e 2006). Com Um defeito de cor, Ana Maria Gonçalves manifesta os traços do momento histórico e da realidade social ao abordar a formação de um povo e de uma nação, resgatando a africanidade no processo de construção da identidade cultural.

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Biografia do Autor

  • Jesuino Arvelino Pinto, Universidade do Estado de Mato Grosso-UNEMAT

    Doutor em Estudos Literários pela UNEMAT, Campus de Tangará da Serra. Professor Adjunto da Universidade do Estado de Mato Grosso. Docente permanente do Programa de Pós-graduação em letras PPGLetras, UNEMAT, Campus de Sinop e do Programa de Pós-graduação em Estudos Literários. UNEMAT, Campus de Tangará da Serra.

  • Carlos Alexandre Manoel, Universidade do Estado de Mato Grosso-UNEMAT

    Mestre em Letras, Linha de pesquisa “Estudos Literários”, pelo Programa de Pós-graduação em letras PPGLetras, UNEMAT, Campus de Sinop. Professor Interino da Universidade do Estado de Mato Grosso.

  • Suelen de Sousa Tessari, Universidade do Estado de Mato Grosso-UNEMAT

    Mestranda em Letras, Linha de pesquisa “Estudos Literários”, pelo Programa de Pós-graduação em Letras PPGLetras, UNEMAT, Campus de Sinop

Referências

BAUMAN, Zygmunt. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Tradução de Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.

CANDAU, Joël. Memória e identidade. Tradução de Maria Letícia Ferreira. São Paulo: Contexto, 2016.

GONÇALVES, Ana Maria. Um defeito de cor. 23. ed. Rio de Janeiro: Record, 2020.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução de Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. 12. ed. Rio de Janeiro, 2006.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. Tradução de Beatriz Sidou. 2. ed. São Paulo: Centauro, 2013.

HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte. UFMG, 2003.

LE GOFF, Jacques. História e memória. Tradução de Irene Ferreira; Bernardo Leitão et al. 5. ed. Campinas/SP: Editora da UNICAMP, 2003.

RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Tradução de Alain François et al. Campinas/SP: Editora da UNICAMP, 2007.

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Publicado

12/07/2024

Edição

Seção

Dossiê Temático 2024/1: Acolhimento, discussão e combate do sofrimento psíquico de mulheres em textos narrativos e poéticos das literaturas africanas de língua portuguesa e nas literaturas afro-diaspóricas

Como Citar

Pinto, J. A., Manoel, C. A., & Tessari, S. de S. (2024). UM DEFEITO DE COR: O MEMORIAL DE KEHINDE. Revista De Letras Norte@mentos, 17(48). https://doi.org/10.30681/rln.v17i48.12689