AS IMAGENS DE CONTROLE E A CONSTITUIÇÃO DA IDENTIDADE FEMININA NEGRA EM “CARTAS PARA A MINHA MÃE”, DE TERESA CÁRDENAS
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v18i52.12877Palavras-chave:
Identidade; imagem de controle; raça.Resumo
O presente artigo consiste em um estudo acerca da construção da identidade feminina no livro Cartas para minha mãe, de autoria de Teresa Cárdenas. Para tanto, definiu-se como objetivo analisar como a identidade feminina negra é construída ao longo do livro, enfatizando como esta perpassa e transpõe opressões racistas implementadas por meio do próprio contexto familiar e que, na maioria das vezes, são perpetuadas entre as gerações. Concernente à categoria de análise, utilizou-se o conceito de imagem de controle formulado por Patricia Hill Collins (2009) e que serve para entender como significados são atribuídos às vidas de mulheres negras, principalmente pelo controle de comportamentos e a partir da superioridade racial (Bueno, 2020). Como resultado, percebe-se que a identidade feminina ao longo do livro é constituída por duas formas distintas, visto que, enquanto a personagem da avó tem sua identidade perpassada pelos reflexos do racismo internalizado e dos diversos estereótipos perpetuados pelas imagens de controle, servindo como um corpo moldado e fragilizado pelos ideais da branquitude, a personagem da órfã, uma jovem em construção, apresenta uma identidade assertiva em relação à própria raça, reconhecendo-se como uma mulher negra cuja identidade emerge a partir do seu olhar subjetivo sobre si e o seu entorno.
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Referências
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