DA CIÊNCIA PARA FICÇÃO OU DA FICÇÃO PARA CIÊNCIA: JÚLIO VERNE, O INVENTOR DO FUTURO

Autores

  • Valéria Augusti Universidade Federal do Pará
  • Ângela Regiane Maia Machado Universidade Federal do Pará

DOI:

https://doi.org/10.30681/rln.v18i52.13398

Palavras-chave:

Ficção, Júlio Verne, Ciência

Resumo

Este artigo tem por objetivo analisar como a imprensa brasileira de fins do século XIX associou o nome do escritor Júlio Verne às descobertas científicas de sua época e de séculos posteriores. Para tanto, foram consultados diversos jornais, dentre eles: A Constituição, da Província do Pará; Jornal de Recife, da Província de Pernambuco; Pacotilha, da Província do Maranhão; e Jornal do Brasil, do Estado do Rio de Janeiro, publicado em 1969. A pesquisa demonstrou que muito frequentemente o nome do escritor francês era mencionado em notícias originalmente publicadas em países estrangeiros e traduzidas para os periódicos brasileiros. Tais notícias evidenciam que muito embora Júlio Verne acreditasse ser autor de romances geográficos, foram as invenções científicas ou tentativas de tornar real o que fora imaginado por Júlio Verne que prevaleceram quando se trata de fazer menção ao autor. Nos jornais, as representações simbólicas sobre o autor são de alguém que contribuiu com a divulgação do conhecimento científico e que antecipou diversas tecnologias. Suas invenções imaginárias fascinaram gerações e influenciaram futuros cientistas que se empenharam em tornar possível o que ele imaginara. De outro lado, Verne também acabou estabelecendo parâmetros para as viagens ao redor da Terra, pois homens e mulheres de carne e osso se esforçaram para bater o recorde de Phileas Fogg, personagem do romance A volta ao mundo em 80 dias. Assim, percebe-se que a popularidade do autor extrapolava e muito o universo da ficção, servindo de régua e compasso para aqueles que estavam criando uma nova realidade.

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Biografia do Autor

  • Valéria Augusti, Universidade Federal do Pará

    Doutora em Teoria e História Literária (UNICAMP). Professora da Faculdade de Letras (FALE) da Universidade Federal do Pará e do Programa de Pós-graduação em Letras da UFPA.

  • Ângela Regiane Maia Machado, Universidade Federal do Pará

    Possui graduação em Letras- Língua Portuguesa- pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Letras, na área de Estudos Literários, da UFPA.

Referências

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Publicado

21/07/2025

Edição

Seção

Artigos Estudos Literários

Como Citar

Augusti, V. ., & Maia Machado, Ângela R. (2025). DA CIÊNCIA PARA FICÇÃO OU DA FICÇÃO PARA CIÊNCIA: JÚLIO VERNE, O INVENTOR DO FUTURO. Revista De Letras Norte@mentos, 18(52), 596-615. https://doi.org/10.30681/rln.v18i52.13398