OS NOMES FEMININOS EM "CIRANDA DE LIA" E "INÊS SEM LASTRO", DE AMANDA KRISTENSEN (2023), COMO ARTIFÍCIO DA TEMATIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v18i51.13779Palavras-chave:
onomástica literária, semiótica literária, autoria feminina, violência contra a mulherResumo
Considerando os conceitos intentio auctoris (intenção do autor) e intentio operis (intenção do texto) de Umberto Eco (1984) e a possibilidade de que escritores – também teóricos da literatura – debrucem-se reflexivamente e teoricamente acerca dos seus processos de criação literária, como já o fizeram o próprio Eco em How I wrote The name of Rose (1984) e Ana Cristina Cesar (1983), este artigo propõe descrever a motivação autoral e a estruturação textual-discursiva da função semântica intertextual do nome próprio de personagens em duas obras de Amanda Kristensen, respectivamente Ciranda de Lia e Inês sem Lastro. Os textos citados integram a Antologia Pedaços de Asas (2023), idealizada pelo Coletivo Literário As Contistas e publicada pela Editora Urutau (São Paulo) por meio de chamada de originais voltada à temática da violência contra a mulher. Para evidenciar como o nome ficcional contribui para a tematização mencionada, os antropônimos ficcionais /Lia/ e /Inês sem lastro/ serão recuperados enquanto formas onomásticas de hipercodificação – capazes de antecipar conteúdos mínimos, de propositar “[...] sintagmas estilisticamente conotados” (Eco, 1984, p.61) ou, ainda, recuperar “[...] elementos já ideologizados depositados na enciclopédia e que funcionam para permitir que ativemos as estruturas ideológicas num nível superior”. Quanto à metodologia, ao longo da recuperação bibliográfica proposta e da descrição dos processos de criação literária em continuum com as próprias análises textuais do discurso literário (Adam, 2010) e sua respectiva semiose, considerar-se-á, especialmente um diálogo entre a Semiótica (Bertrand, 2003; Eco, 1984) e as funções do nome próprio na literatura (Dvoráková, 2018).
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