A EXPRESSÃO POÉTICA DO(A) CATIRA OU CATERETÊ: UM TEXTO FORA DA PÁGINA DA LITERATURA CANÔNICA
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v18i55.14341Palavras-chave:
Catira, Textos fora da página, Expressão poética, Tradição oralResumo
Este artigo investiga e aponta as canções de catira ou cateretê como expressão poética, e ao mesmo tempo, como um texto fora da página da literatura canônica. O conceito de “texto fora da página” foi apresentado pelo professor angolano Nsimba José, e abre um importante horizonte de debates, sob o ponto de vista do literário, a respeito daquela gama de textualidades geralmente expulsa para as margens da noção de literatura atrelada à filiação canônica. Concepção reducionista, filiada a uma história única (Adichie, 2019), deixa fora da página um caudaloso, multifacetado e plurissignificativo manancial de textualidades, as quais manifestam poeticidades riquíssimas e generosas, e acumulam em suas partituras universos mentais carregados de força simbólica, dentre as quais, a gama de textos criativos advindos da oralidade (Zumthor, 1993). As expressões poéticas derivadas das formas orais, geralmente costuradas com a performance (Zumthor, 2007), extravasam as páginas dos textos meramente escritos e transitam na voz, circulando de geração em geração, em ampla medida, no registro oral. É o caso do(a) catira ou cateretê, expressão poético-musical, grafada na memória oral, que envolve performance, dança, audiência e repercussão.
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