VOZES, ENQUADRES E AUTORIDADE FEMININA: UMA LEITURA SOCIOLINGUÍSTICO-POPULAR DO CONTO NOCHÊ
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v18i55.14499Palavras-chave:
Sociolinguística Interacional , Linguística Popular , Tambor de Mina, Autoridade femininaResumo
Este artigo investiga as relações entre linguagem, ancestralidade e autoridade feminina no contexto do Tambor de Mina no Maranhão, tomando como objeto de análise o conto “Nochê”, de Raquel Almeida (2019). Partindo de uma abordagem qualitativa e interpretativista, o estudo tem como objetivo analisar como pistas de contextualização, especialmente prosódicas, paralinguísticas e temporais, são mobilizadas na construção da figura feminina no conto, articulando tais recursos ao universo simbólico do Tambor de Mina. A análise, centrada em trechos que apresentam marcas de vocalização, indicações temporais e verbos de enunciação, fundamenta-se na Sociolinguística Interacional (Gumperz, 1982; Ribeiro; Garcez, 2007) e na Linguística Popular (Niedzielski; Preston, 2003), com apoio adicional dos conceitos de enquadre e footing (Goffman, 1974, 1981). Os resultados demonstram que a narrativa constrói a autoridade feminina por meio de elementos como sussurros, voz firme, marcações temporais e verbos de ação ritual, que orientam a interpretação do leitor para enquadres de cuidado, condução e sacralidade. Desse modo, a voz feminina é representada como instrumento de mediação entre o visível e o invisível, reforçando seu papel na manutenção da memória e da organização comunitária, em sintonia com as convenções culturais do Tambor de Mina.
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