POLÍTICAS DE DIVERSIDADE LINGUÍSTICA NA UNIVERSIDADE PÚBLICA - O CASO ESPECÍFICO DA UEMA :
PARA ALÉM DO MODISMO, UMA PAUTA URGENTE.
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v18i55.14518Palavras-chave:
Diversidade linguística, Políticas linguísticas, Universidade pública, UEMAResumo
Falar sobre políticas institucionais voltadas à diversidade linguística é reconhecer que o Brasil é linguisticamente plural desde sua origem, muito antes da invasão e colonização europeia. Essa pluralidade, que engloba centenas de línguas indígenas e uma vasta gama de variedades do português e de línguas de imigração e de comunidades tradicionais, porém, foi sistematicamente silenciada ao longo da história por políticas de homogeneização linguística que impuseram o português como língua única e legítima. Tais políticas atuaram apagando expressões, saberes e modos de dizer de inúmeros povos e comunidades, tratando a diversidade como obstáculo e não como patrimônio. Essa imposição é vista na literatura como parte intrínseca de um projeto de Estado-Nação centralizador, no qual a norma padrão da língua atua como um mecanismo de controle e exclusão social. Moita Lopes (2002), ao discutir as dinâmicas de poder na linguagem, argumenta que a língua, longe de ser um mero instrumento de comunicação, é um locus de disputa ideológica, consolidando hierarquias e marginalizando aqueles que não se enquadram na norma hegemônica. Da mesma forma, Rajagopalan (2003) ressalta a urgência de uma perspectiva indisciplinar para a Linguística Aplicada, capaz de desnaturalizar esses projetos linguísticos excludentes.
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Referências
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