O audiovisual como ferramenta pedagógica na Educação Física: ginástica, gênero e raça a partir de Simone Biles
DOI:
https://doi.org/10.30681/faed.v42i1.14839Palavras-chave:
Educação Física, Ginástica, Audiovisual, Gênero, RaçaResumo
A ginástica, enquanto conteúdo da Educação Física, é historicamente atravessada por estereótipos de gênero e raça que produzem hierarquias corporais e limitam experiências educativas no contexto escolar. No cenário contemporâneo, o audiovisual emerge como um potente dispositivo pedagógico, capaz de tensionar discursos naturalizados e ampliar as possibilidades de abordagem crítica das práticas corporais. Diante disso, este estudo problematiza como as narrativas audiovisuais sobre a ginástica de alto rendimento podem contribuir para a reflexão sobre gênero e raça na Educação Física escolar. O objetivo foi analisar as potencialidades pedagógicas da série documental O Retorno de Simone Biles para o ensino da ginástica, a partir de uma perspectiva crítica e interseccional. Como elementos teóricos fundamentamo-nos nos estudos da Educação Física cultural, nas pedagogias culturais e nos aportes teóricos de gênero, raça e interseccionalidade. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, utilizando a etnografia de tela como estratégia de análise do audiovisual, compreendido como um texto cultural produtor de sentidos. A análise evidenciou que a série tensiona discursos hegemônicos ao explicitar as pressões impostas aos corpos femininos e negros, bem como ao abordar a saúde mental no esporte. Conclui-se que o audiovisual, quando mediado criticamente, constitui-se como uma ferramenta potente para a construção de práticas pedagógicas mais inclusivas, reflexivas e comprometidas com a justiça social na Educação Física escolar.
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