Livro didático: desafios e descompassos no currículo da educação infantil
DOI:
https://doi.org/10.30681/faed.v41i1.14288Palavras-chave:
Educação Infantil, currículo, BNCC, livros didáticosResumo
RESUMO: Este artigo problematiza o currículo da Educação Infantil e a concepção de infância presente nas bases teóricas e nos documentos oficiais, a partir da DCNEI e na BNCC. Nesse contexto, atividades propostas em livros didáticos voltados para essa etapa são analisadas para que suas conformidades com os princípios pedagógicos estabelecidos por essas diretrizes sejam questionadas. Consequentemente, o texto discute como as atividades presentes nesses materiais podem limitar as aprendizagens das crianças, bem como reduzir a autonomia dos professores e comprometer a qualidade do trabalho pedagógico. Percebe-se também a influência de grupos empresariais na definição de um currículo padronizado para a Educação Infantil. Conclui-se que o livro didático, frequentemente, é configurado como um recurso limitado, pouco sensível às especificidades da infância, às demandas de uma aprendizagem contextualizada e incondizente com as especificidades da infância.
Downloads
Referências
APPLE, Michael Ideologia e Currículo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1995.
APPLE, Michael W. Cultura e comércio do livro didático. In: APPLE, Michael. (Org.). Trabalho docente e textos: economia política das relações de classe e de gênero em educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 2010. pp. 81–105.
A ASSOCIAÇÃO Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Portal Anped, Rio de Janeiro, [2017]. Disponível em: <https://legado.anped.org.br/sites/default/files/images/a_anped_e_a_bncc_versao_final.pdf>. Acesso em 10 out. 2025.
BADINTER, Elisabeth. Um Amor conquistado: o mito do amor materno. Tradução de Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.
BARBOSA, Maria Carmen Silveira; OLIVEIRA, Zilma de Moraes Ramos de. Porque uma BNCC para a educação infantil. Revista Pátio. Ensino Básico. Portal Desafios da Educação, [S. l.], 5 de abril de 2019. Disponivel em: <https://posts.desafiosdaeducacao.com.br/bncc-na-educacao-infantil/>. Acesso em: 20 set. 2025.
BARBOSA, I. G.; MARTINS SILVEIRA, T. A. T.; SOARES, M. A. A BNCC da Educação Infantil e suas contradições: regulação versus autonomia. Retratos da Escola, [S. l.], v. 13, n. 25, p. 77–90, 2019. DOI: 10.22420/rde.v13i25.979. Disponível em: <https://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/979>. Acesso em: 18 set. 2025.
BARBOSA, Maria Carmem; FERNANDES, Susana Beatriz. A educação infantil na Base Nacional Comum Curricular: tensões de uma política inacabada. Em Aberto, Brasília, v. 33, n. 107, p. 113–26, jan./abr. 2020. Disponível em: <https://emaberto.inep.gov.br/ojs3/index.php/emaberto/article/view/4558/3778>. Acesso em 20 jul 2025.
BARBOSA, Maria Carmem S. Práticas cotidianas na educação infantil: bases para a reflexão sobre as orientações curriculares. In: MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Práticas cotidianas na Educação Infantil – Bases para a reflexão sobre as orientações curriculares. Projeto de Cooperação Técnica MEC e UFRGS para a construção de orientações curriculares para a educação infantil. Brasília: UFRGS; Secretaria da Educação Básica, 2009. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/relat_seb_praticas_cotidianas.pdf>. Acesso em: 10 maio 2025.
CAMPOS, Rosânia; BARBOSA, Maria Carmen Silveira. BNC e educação infantil. Quais as possibilidades? Revista Retratos da Escola, Brasília, v. 9, n. 17, p. 353–366, jul./dez. 2015. Disponível em: <https://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/585/659>. Acesso em 10 out. 2025.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDB 1996). Estabelece as diretrizes e bases da educação
nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 1996.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular da Educação Infantil. Brasília: Ministério da Educação, 2017. Disponível em: <https://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/#estrutura>. Acesso em 10 jul.2025.
BRASIL. PNA: Política Nacional de Alfabetização/Secretaria de Alfabetização. Brasília: MEC; SEALF, 2019c
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017.
BRASIL; Ministério da Educação; Conselho Nacional de Educação; Câmara de Educação Básica. Resolução n.º 5, de 17 de dezembro de 2009. Fixa as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Diário Oficial da União, Brasília, 18 dez. 2009.
CAMPOS, Rosânia; BARBOSA, Maria Carmen Silveira. BNC e educação infantil. Quais as possibilidades? Revista Retratos da Escola, Brasília, v. 9, n. 17, p. 353–366, jul./dez. 2015. Disponível em: <https://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/585/659>. Acesso em 10 out. 2025.
CAMPOS, Roselane Fátima; DURLI, Zenilde; CAMPOS, Rosânia. BNCC e privatização daEducação Infantil: impactos na formação de professores. Revista Retratos da Escola, Brasília, v. 13, n. 25, p. 169–185, jan./maio 2019. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/360248305_Educacao_infantil_posBNCC_e_a_producao_do_neossujeito_docente_em_documentos_curriculares_municipais>. Acesso 20 set. 2025.
CARVALHO, R. S. A comodificação da docência no currículo de livros didáticos para docentes de pré-escola. Revista Eletrônica de Educação, [S. l.], v. 18, e6783119, p. 1–23, jan./dez. 2024. Disponível em: <https://www.reveduc.ufscar.br/index.php/reveduc/article/view/6783/1648>. Acesso em: 5 jul. 2025.
CARVALHO, Rodrigo Saballa; BERNARDO, Gertrudes Angélica Vargas; LOPES, Amanda de Oliveira. Educação infantil pós-Bncc e a produção do neossujeito docente em documentos curriculares municipais. Debates em Educação, Maceió, v. 13, n. 33, 2021. Disponível em: <https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/233878/001135447.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em 5 jul 2025.
CERISARA, Ana Beatriz. Educar e cuidar: por onde anda a Educação Infantil? Perspectiva: Revista do Centro de Ciências da Educação, Florianópolis, n. especial, p. 11–21, 1999.
DEL PRIORE, Maria. Porque devemos falar em infâncias? Entrevista concedida à Nathália Florencio. Clube Quindim, 21 de março de 2025. Disponível em: <https://quindim.com.br/blog/por-que-devemos-falar-em-infancias/>. Acesso em: 2 ago. 2025.
FARIA, Ana Lucia Goulart. Educação pré-escolar e cultura. São Paulo: Cortez, 1999.
FREITAS, Luiz Carlos de. Não há base para discutir a base. Avaliação Educacional – blog do Freitas, 18 out. 2015. Disponível em: <http://avaliacaoeducacional.com/2015/10/18/nao-ha-base-para-discutir-a-base/>. Acesso em: 6 out. 2025.
FURTADO, Kênia Kristina. Currículos (re)construídos no movimento da docência na Educação Infantil: entre a autonomia e a regulação. Universidade do Estado de Santa Catarina, Centro de Ciências Humanas e da Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Florianópolis, 2020. 239 p.
FUNDAÇÃO MARIA CECILIA SOUTO VIDIGAL; UDIME; MOVIMENTO PELA BASE; FGV. Orientações para gestores municipais sobre a implementação dos currículos baseados na Base para creches e pré-escolas. [S. l.]: Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, 2019. Disponível em: <https://biblioteca.fmcsv.org.br/biblioteca/bncc-educacao-infantil/>. Acesso em 10 ago. 2025.
KUHLMANN JR., Moysés. Infância e Educação Infantil: uma abordagem histórica. Porto Alegre: Mediação, 1998.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO; CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO; CÂMARA DE EDUCAÇÃO BÁSICA. Resolução CEB n.º 1, de 7 de abril de 1999. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13abr. 1999. Seção 1, p. 18.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO; CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO; CÂMARA DEEDUCAÇÃO BÁSICA. Resolução CNE/CEB n.º 5, de 17 de dezembro de 2009. Fixa as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 18 dez. 2009. Seção 1, p. 18.
MIEIB. Carta aberta do MIEIB. Posicionamento público contrário aos livros didáticos na Educação Infantil. MIEIB, Brasília, 06 de agosto de 2021. Disponível em: <http://www.mieib.org.br/wp-content/uploads/2023/02/Posicionamento-publico-contrario-aos-livros-didaticos-na-educacao-infantil.pdf>. Acesso em: 14 de set. de 2025.
MONTEIRO, Ana Maria. Professores e livros didáticos: narrativas e leituras no ensino de História. In: ROCHA, Helenice Aparecida Bastos; REZNIK, Luis; MAGALHÃES, Marcelo de Souza. (Org.). A história na escola: autores, livros e leituras. Rio de Janeiro: Editora da FGV, 2009, p. 177–199.
PACHECO, José Augusto. Escritos curriculares. São Paulo: Cortez, 2005.
ROCHA, E. A C. Crianças e infâncias: uma categoria social em debate. CONGRESSO DE ARTE-EDUCAÇÃO, III, 2002, Blumenau. Anais [...]. Blumenau, SC, 2002.
SACRISTÁN, J. Gimeno (Org.). Saberes e incertezas sobre o currículo. Porto Alegre: Penso, 2013.
SACRISTÁN, J. Gimeno. O currículo: uma reflexão sobre a prática. Porto Alegre: Artmed, 2000.
SARMENTO, M. J. Gerações e alteridade: interrogações a partir da Sociologia da Infância. Educação & Sociedade, Campinas, v. 26, n. 91, p. 361–378, maio/ago. 2005.
SARMENTO, M. J. A sociologia da infância: possibilidade/s de voz e ação da criança e sua/s infância (s). Organizadoras: Janaína Nogueira Maia Carvalho [et al.]. Campo Grande, MS [recurso eletrônico]: Ed. UFMS, 2022. 223 p..
XAVIER. Ângelo. Desafios para o livro didático em 2024. PublishNews, [S. l.], 1º mar. 2024. Disponível em: <https://www.publishnews.com.br/materias/2024/03/01/desafios-para-o-livro-didatico-em-2024>. Acesso em 18 de set. 2025.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Maria Raquel Caetano, Nathaniele Carolina Alves Fernandes

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Licença CC-BY-NC
"Revista da Faculdade de Educação adota a licença Creative Commons BY-NC do tipo "Atribuição Não Comercial". Essa licença permite, exceto onde está identificado, que o usuário final remixe, adapte e crie a partir do seu trabalho para fins não comerciais, sob a condição de atribuir o devido crédito e da forma especificada pelo autor ou licenciante".














