v. 2 n. 1 (2014): Comunicação, Cultura e Sociedade III: A cidade no tempo das redes sociais

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Esta terceira edição ampliou o conceito de rede social para além das telas dos smartphones, ipods e notebooks de última geração; assim perpassando o campo de atuação das práticas midiáticas e, propriamente, dos estudos em Comunicação. Pois, afinal, pensar a metáfora da rede em suas múltiplas ressonâncias, bem como a cidade enquanto área de enorme interlocução social, significou explorar novos rumos, delimitações e objetos.

Os textos desta edição não somente retrataram as interações entre a sociedade atual e as plataformas virtuais da internet, mas apresentaram proposituras na contramão de todo o processo, de modo a expandir o recorte temático e justificar a necessidade de abordagens cada vez mais plurais para a compreensão dos problemas no campo das Ciências Sociais Aplicáveis. Trata-se, em suma, de um desafio trans e multidisciplinar que foi traçado até de forma pretensiosa, e, ao mesmo tempo, ciente dos riscos, ainda mais quando se considera a condição intermitente dos estudos em Comunicação.

Através de conceitos como fluxo transnacional, reterritorialidade e desterritorialidade, o texto dos professores doutores Mariano Hebenbrock e Kywza Fideles apontam para as inúmeras transversalidades coexistentes entre a apropriação das redes sociais e a constituição de um tecido urbano que se evidencia multicultural, glocal, assim observados na cidade de Recife. Já o texto intitulado “O olhar dos moradores de Santa Maria - RS sobre a cidade após o incêndio na boate Kiss: um estudo de caso no Facebook”, dos pesquisadores Cayron Henrique e Daiana Stasiak, sinaliza para um modo de apropriação, uso e satisfação das redes por usuários em face de uma tragédia.

Voltado para as condições de circulação de conteúdos, o texto dos pesquisadores Alfredo Costa e Hélio Ferreira trata de comunicação viral ao fazer um estudo de dois casos que teve grande repercussão na webesfera e na própria mídia. Enquanto o filosofo Lionês Santos desenvolve um estudo mais conceitual acerca das redes e suas imbricações cognitivas.

Não muito diferente, a resenha do professor Gibran Lachowski versa sobre a relação do individuo contemporâneo com as novas tecnologias, ao desenvolver uma reflexão da obra do jornalista Pedro Burgos, Conecte-se ao que importa: um manual para a vida digital saudável.  

Também no tocante às tecnologias, os pesquisadores Rafael Gomes e Rosceli Kochhann dimensionam a influencia das mídias alocativas e da convergência digital no jornalismo radiofônico.  Enquanto, por outro lado, o professor Miguel Rodrigues Netto reitera o aspecto disjuntivo das promessas democratizadoras da comunicação pós-massiva, quando coloca no centro do debate conceitos como coronelismo eletrônico e historiciza as leis de concessão de radiodifusão no Brasil.

Sobre os processos de comunicação, o estudo dos pesquisadores Marcelo Eduardo Leite e Leylianne Alves Vieira sobre a revista Realidade revela o papel da reportagem jornalística enquanto memória cultural do Brasil. Um viés que atribui função de interface social à prática jornalística e no texto do pesquisador Ulisflávio Evangelista parece ser e ditar a tônica do seu projeto Artset, só que pela linguagem do cinema.  

Já sobre o olhar sobre a cidade, o texto do pesquisador Fábio Lopes explora as dinâmicas interacionais em um cabaré, deslindando uma noção de rede totalmente adversa a adotada pelo universo cyberpunk.

Para finalizar, tem-se a entrevista com o filosofo Vladimir Santafé, que fala sobre o seu livro Da biopolítica dos movimentos sociais à batalha nas redes: vozes autônomas sinaliza e o tipo de protagonismo adquirido pelas multidões a partir da interação com as redes sociais da internet.

 

Tenham uma boa leitura! 

Lawrenberg Advíncula da Silva

Editor-Geral

 

Lawrenberg Advíncula da Silva

Miguel Rodrigues Netto

Iuri Barbosa Gomes

(Organizadores da edição)

Publicado: 19/09/2014