A força da tradição na voz e nas mãos das mulheres Kariri-Xocó: a cerâmica como epistemologia indígena
DOI:
https://doi.org/10.30681/rtakaa.v3i1.14174Palavras-chave:
Ceramistas Kariri-Xocó, Artes Tradicionais, Memória ancestral, Poteca, Resistência culturalResumo
Este artigo apresenta um relato de vivências junto às louceiras Kariri-Xocó, ceramistas indígenas de Porto Real do Colégio (AL), cujas mãos moldam não apenas potes, mas também memórias, afetos e modos de vida. A escrita emerge a partir de uma disciplina do Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural da UNEB, Campus II, Alagoinhas, que estimulou uma articulação entre experiências pessoais e pesquisa etnográfica. O texto entrelaça escutas sensíveis, observações e reflexões com saberes ancestrais transmitidos oralmente e corporificados na prática ceramista, especialmente no processo do “bolo de barro”, tradição que resiste ao tempo e à homogeneização cultural. Como expressão de resistência e continuidade, propõe-se a aplicação da metodologia Poteca, uma “biblioteca oral construída com potes”, como estratégia educativa, lúdica e política, capaz de ativar memórias, valorizar a cultura indígena e convocar as novas gerações à reinvenção da tradição.
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