Iracema e a pedagogia do apagamento indígena: literatura romântica, nação e silenciamento epistêmico
DOI:
https://doi.org/10.30681/rtakaa.v4i1.14649Palabras clave:
Alteridade, Colonialidade, Epistemologias indígenas, Identidade nacional, RomantismoResumen
O estudo investiga como uma narrativa romântica do século XIX participa da construção simbólica da nação ao definir lugares específicos para a figura indígena, integrando parâmetros que influenciam percepções contemporâneas sobre identidade e pertencimento. A pesquisa examina o romance como artefato cultural que organiza sentidos e silenciamentos, permitindo analisar processos de apagamento epistêmico que atravessam a história social brasileira e repercutem em práticas educativas e representações institucionais. O objetivo consiste em compreender de que modo a narrativa produz enquadramentos que limitam a presença indígena como sujeito de conhecimento, ao mesmo tempo em que contribui para consolidar modelos interpretativos associados à formação nacional. A metodologia utiliza revisão bibliográfica analítica, articulada à leitura antropológica da obra e à comparação com produções indígenas contemporâneas, com foco na identificação de disputas simbólicas que emergem entre diferentes regimes de saber. O estudo analisa a interação entre literatura, colonialidade e identidade, destacando aspectos que revelam tensões entre narrativas hegemônicas e expressões indígenas que reconfiguram modos de enunciação. A análise demonstra que práticas literárias atuais introduzem deslocamentos que desafiam referências tradicionais, tornando visíveis epistemologias que permaneciam marginalizadas. A conclusão preliminar indica que essas produções ampliam possibilidades de leitura crítica ao propor outras formas de compreender o indígena como sujeito histórico, epistêmico e político. O trabalho contribui para debates sobre representação, educação intercultural e justiça cognitiva, estimulando reflexões sobre caminhos para superar apagamentos ainda presentes no imaginário nacional.
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