A territorialização indígena e a produção das desigualdades socioespaciais em Santa Cruz Cabrália – BA a partir dos setores censitários do censo demográfico 2022
DOI:
https://doi.org/10.30681/rtakaa.v4i1.14879Palavras-chave:
População indígena, desigualdades socioespaciais, territorialização, setores censitários, Santa Cruz CabráliaResumo
O presente artigo analisa a territorialização da população indígena e a produção das desigualdades socioespaciais no município de Santa Cruz Cabrália, Bahia, a partir dos setores censitários do Censo Demográfico 2022. Fundamentado em uma abordagem quantitativa, o estudo articula análise espacial e cartografia temática para examinar a distribuição da população indígena e suas condições demográficas, educacionais, infraestruturais e de gênero no espaço urbano. Os resultados evidenciam a concentração da população indígena em setores censitários marcados por maiores níveis de vulnerabilidade socioespacial, caracterizados por estrutura etária predominantemente jovem, menores percentuais de alfabetização e precariedade no acesso a serviços básicos de saneamento. A análise também revela desigualdades interseccionais associadas ao gênero, destacando a presença significativa de domicílios indígenas chefiados por mulheres em áreas com maiores carências infraestruturais. Conclui-se que a territorialização indígena em Santa Cruz Cabrália expressa a produção desigual do espaço urbano e reforça a necessidade de políticas públicas territorializadas, capazes de reconhecer a cidade como espaço legítimo de reprodução da vida indígena e de promover o direito à cidade de forma mais equitativa.
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