JOGOS DIGITAIS COMO REEXISTÊNCIA CURRICULAR
autoria docente e discente no ensino de matemática na cultura digital
DOI:
https://doi.org/10.30681/reps.v16i3.13798Palavras-chave:
Jogos digitais, Autoria docente, Matemática crítica, Cultura digital, Justiça epistêmicaResumo
Este artigo investiga como a produção autoral de jogos digitais por professores e estudantes pode reconfigurar o ensino de matemática como prática crítica, cultural e situada. Partindo de uma abordagem qualitativa e teórico-crítica, analisamos a interseção entre jogos digitais, cognição matemática e justiça epistêmica, com base em referenciais como Paulo Freire, Henry Jenkins e Catherine Walsh. Os resultados evidenciam que jogos autorais, desenvolvidos em plataformas acessíveis (Scratch, Wordwall), promovem reexistência curricular ao integrar narrativas territoriais, estéticas periféricas e problemas reais, desafiando lógicas excludentes da gamificação comercial. Discutimos ainda desigualdades digitais e a necessidade de políticas públicas que articulem inovação tecnológica, formação docente crítica e design pedagógico intencional. Concluímos que a autoria de jogos, quando ancorada em princípios construcionistas e decoloniais, transforma a matemática em linguagem viva, potencializando engajamento, criatividade e justiça educacional.
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