A HERMENÊUTICA DA AUTOCOMPREENSÃO DAS DORES EMOCIONAIS DE DOCENTES UNIVERSITÁRIOS
DOI:
https://doi.org/10.30681/reps.v16i1.12935Palavras-chave:
Formação de professores, Dores emocionais, Hermenêutica afetiva, Saberes do autoesclarecimentoResumo
Este estudo teve como objetivo analisar, sob uma perspectiva hermenêutica, as dores emocionais vivenciadas por docentes universitários, com base nas narrativas de quatro professores. A investigação foi aprofundada por meio do suporte metafórico da tragédia As Bacantes, bem como pelas contribuições filosóficas de Baruch Espinosa, considerado um precursor de importantes descobertas contemporâneas no campo da neurociência, como as propostas por Antonio Damásio. A obra de Damásio, em especial, questiona os fundamentos do paradigma representacional tradicional. Para a condução da análise, adotou-se a hermenêutica afetiva desenvolvida por Andrés Ortiz-Osés, cuja abordagem propõe a interpretação de textos e fenômenos com o intuito de revelar significados ocultos ou profundos. A partir das narrativas analisadas, emergiram sentidos que foram organizados graficamente em uma espiral: seu movimento concêntrico remete aos fatores que contribuem para o adoecimento emocional, enquanto seu movimento exocêntrico aponta para possíveis caminhos de superação desses mesmos fatores. Os elementos identificados neste segundo movimento deram origem ao que foi denominado Saberes do Autoesclarecimento Pedagógico, os quais evidenciam a urgência de uma reformulação nos programas de formação docente. Tal reformulação deve considerar horizontes mais amplos e integradores, capazes de acolher as dimensões subjetivas e afetivas da prática pedagógica.
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