SAÚDE MENTAL, EDUCAÇÃO INDÍGENA E DECOLONIALIDADE

Autores

  • Luís Felipe Cristaldo Gonçalo Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

DOI:

https://doi.org/10.30681/reps.v16i1.13437

Palavras-chave:

Saúde mental, Educação indígena, Colonialidade do saber, Interculturalidade crítica

Resumo

A pandemia de coronavírus impactou profundamente a saúde mental das comunidades indígenas no Brasil, exacerbando vulnerabilidades estruturais e evidenciando a colonialidade do saber na formulação das políticas públicas. O isolamento social interrompeu práticas coletivas fundamentais para o equilíbrio emocional, como rituais e encontros comunitários, enquanto a exclusão digital dificultou o acesso à educação e ao suporte psicológico. Além disso, os modelos biomédicos predominantes, enraizados em uma visão eurocêntrica e individualizante, continuam a desconsiderar as concepções indígenas de bem-estar, que são holísticas e integram corpo, espírito, meio ambiente e ancestralidade. Neste contexto, este artigo analisa os desafios enfrentados pelas comunidades escolares indígenas no período pandêmico e discute a necessidade de uma abordagem intercultural e decolonial na saúde mental, com base nos conceitos de interculturalidade crítica e Teko Porã, que representam formas indígenas de bem viver. A partir da revisão bibliográfica e documental, o estudo aponta para a urgência de políticas públicas que respeitem os saberes tradicionais e promovam o protagonismo indígena na formulação e implementação de estratégias de cuidado, superando a lógica ocidental reducionista.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Luís Felipe Cristaldo Gonçalo, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

    Mestre em Educação pela Universidade Católica Dom Bosch (UCDB), Professor Supervisor de Estágio SEDMS, integrante do Grupo de Pesquisas em Estudos Decoloniais (GPED/UFMS). Aquidauana, Mato Grosso do Sul, Brasil.

Referências

BERNI, Luiz Eduardo Valiengo. Psicologia e saúde mental indígena: um panorama para construção de políticas públicas. Psicología para América Latina, Edição Especial, nov. 2017. Disponível em: http://www.crpsp.org.br/povos/povos/livro.pdf. Acesso em: 30 jan. 2025.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.759, de 25 de outubro de 2007. Estabelece diretrizes gerais para a política de atenção integral à saúde mental das populações indígenas e cria o comitê gestor. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2007. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2007/prt2759_25_10_2007.html. Acesso em: 30 jan. 2025.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (Brasil). Seminário Subjetividade e os Povos Indígenas: relatório final. Brasília, DF: CFP, 2004. Disponível em: http://www.crpsp.org.br/povos/povos/livro.pdf. Acesso em: 30 jan. 2025.

FAIRCLOUGH, Norman. Discurso e mudança social. Tradução de Izabel Magalhães. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2001.

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Povos indígenas no Estado de São Paulo. Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, Coordenação de Políticas para a População Negra e Indígena/CPPNI. 2. ed. São Paulo, 2010. Disponível em: https://www.justica.sp.gov.br. Acesso em: 30 jan. 2025.

HELMAN, Cecil. Culture, Health and Illness. Oxford: Butterworth-Heinemann, 1994.

KAIMBÉ, G. Alta de suicídios entre indígenas reflete carência na assistência básica de saúde. Folha de S.Paulo, Equilíbrio e Saúde, 30 set. 2024. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2024/09/alta-de-suicidios-entre-indigenas-reflete-carencia-na-assistencia-basica-de-saude.shtml. Acesso em: 30 jan. 2025.

MARQUES, João. Descolonizando a saúde mental: uma crítica às práticas hegemônicas. São Paulo: Editora X, 2020.

MIGNOLO, Walter. Histórias locais/desenhos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 7. ed. São Paulo: Hucitec, 2001.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. Buenos Aires: CLACSO, 2005.

WALSH, Catherine. Interculturalidade crítica e educação intercultural. Revista Brasileira de Educação, v. 14, n. 40, p. 19-50, 2009.

Downloads

Publicado

30-07-2025

Como Citar

GONÇALO, Luís Felipe Cristaldo. SAÚDE MENTAL, EDUCAÇÃO INDÍGENA E DECOLONIALIDADE. Eventos Pedagógicos, [S. l.], v. 16, n. 1, p. 446–454, 2025. DOI: 10.30681/reps.v16i1.13437. Disponível em: https://periodicos.unemat.br/index.php/reps/article/view/13437. Acesso em: 2 jan. 2026.