SAÚDE MENTAL, EDUCAÇÃO INDÍGENA E DECOLONIALIDADE
DOI:
https://doi.org/10.30681/reps.v16i1.13437Palavras-chave:
Saúde mental, Educação indígena, Colonialidade do saber, Interculturalidade críticaResumo
A pandemia de coronavírus impactou profundamente a saúde mental das comunidades indígenas no Brasil, exacerbando vulnerabilidades estruturais e evidenciando a colonialidade do saber na formulação das políticas públicas. O isolamento social interrompeu práticas coletivas fundamentais para o equilíbrio emocional, como rituais e encontros comunitários, enquanto a exclusão digital dificultou o acesso à educação e ao suporte psicológico. Além disso, os modelos biomédicos predominantes, enraizados em uma visão eurocêntrica e individualizante, continuam a desconsiderar as concepções indígenas de bem-estar, que são holísticas e integram corpo, espírito, meio ambiente e ancestralidade. Neste contexto, este artigo analisa os desafios enfrentados pelas comunidades escolares indígenas no período pandêmico e discute a necessidade de uma abordagem intercultural e decolonial na saúde mental, com base nos conceitos de interculturalidade crítica e Teko Porã, que representam formas indígenas de bem viver. A partir da revisão bibliográfica e documental, o estudo aponta para a urgência de políticas públicas que respeitem os saberes tradicionais e promovam o protagonismo indígena na formulação e implementação de estratégias de cuidado, superando a lógica ocidental reducionista.
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