O LIVRO DIDÁTICO NA EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA E AS POSSIBILIDADES ETNOMATEMÁTICAS
DOI:
https://doi.org/10.30681/reps.v16i3.13993Palavras-chave:
Interculturalidade, Ensino, Matemática, Prática docente, Formação de professoresResumo
Segundo a Etnomatemática, cada grupo cultural possui formas próprias de matematizar, o que exige uma educação que respeite seus saberes (D’Ambrosio, 2011). Este estudo faz uma reflexão crítica dos materiais didáticos adotados pela rede de ensino do Mato grosso do Sul, entre os anos de 2018 e 2024, discutindo as potencialidades da Etnomatemática para adaptar e contextualizar os conteúdos e conceitos matemáticos presentes nesses materiais. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza documental, fundamentada nos pressupostos da Etnomatemática e da interculturalidade crítica. Os resultados revelam que os livros seguem predominantemente um currículo hegemônico, apresentam a matemática como conhecimento descontextualizado e praticamente ignoram as práticas socioculturais, as línguas e as formas de matematizar dos povos indígenas. Conclui-se que esses materiais oferecem pouca contribuição para a construção de uma educação escolar indígena diferenciada, intercultural e bilíngue, evidenciando a necessidade urgente de produção de livros didáticos elaborados em diálogo com as comunidades e com participação ativa de professores indígenas, além de formação docente que possibilite mediações culturais críticas e contextualizadas.
Downloads
Referências
BAYER, A.; SANTOS, B. P. A cultura indígena e a geometria: aprendizado pela observação. Acta Scientiae, Canoas, v. 5, n. 2, p. 17-27, jul./dez. 2003.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.
BOGDAN, R. C., BIKLEN, S. K. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Portugal. Porto Editora, 1994.
BRAND, Antônio. O impacto da perda da terra sobre a tradição Kaiowá/Guarani: os difíceis caminhos da Palavra. 1997. Tese (Doutorado em História) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1997.
BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: ensino fundamental: matemática. Brasília: Secretaria de Educação Média e Tecnológica, 1998.
BRASIL. Tekoha: direitos dos Povos Guarani e Kaiowá: visita do Consea ao Mato Grosso do Sul. Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Brasília: Presidência da República, 2017.
CELLARD, A. A análise documental. In J. Poupart. A pesquisa qualitativa: enfoques epistemológicos e metodológicos. Petrópolis, p. 295-31. Editora Vozes, 2012.
COSTA, W. G.; BORBA, M. C. O porquê da Etnomatemática na educação indígena. Revista Zetetiké, Campinas, v. 4, n. 6, jul./dez. 1996. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/zetetike/article/view/8646741/13643. Acesso em: 12 de dezembro. 2024. DOI: https://doi.org/10.20396/zet.v4i6.8646741.
CUNHA, A. C. Contribuição da etnomatemática para a manutenção e dinamização da cultura Guarani e Kaiowá na formação inicial de professores indígenas. Curitiba, 1 ed. Editora CRV, 2018.
D’AMBROSIO, U. A transdisciplinaridade como uma resposta à sustentabilidade. Revista Terceiro Incluído, v. 1, n. 1, p. 1-13, 2011.
D’AMBROSIO, U.; MARMÉ, M. Mathematic, peace and ethics: an introduction. Zentralblatt für Didaktik der Mathematik (ZDM), Jahrgang 30, Juni, 1998.
FASHEH, M. Matemática, cultura e poder. Revista Zetetiké, CEMPEM – FE/UNICAMP, Campinas: SP, v. 6, n. 9, 1997. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/zetetike/article/view/8646805 Acesso em 13 de fevereiro de 2025.
FERNANDES, A. T. C. Livros didáticos para escolas indígenas. In: Anais do IX Encontro Nacional dos Pesquisadores do Ensino de História. Florianópolis. 2011. p. 1-18.
FREIRE, P. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 37. ed. São Paulo: Cortez, 1999.
FREITAG, B.; COSTA, W. F.; MOTTA, V. R. O livro didático em questão. 3. ed. São Paulo: Cortez, 1997.
FREITAG, B.; MOTTA, V. R.; COSTA, W. F. O estado da arte do livro didático no Brasil. Brasília: INEP, 1987.
GALLOIS, D. T.; GRUPIONI, D. F. Povos indígenas no Amapá e norte do Pará: quem são, onde estão, quantos são, como vivem e o que pensam?. São Paulo: Iepé, 2003.
HOFLING, E. M. Notas para discussão quanto à implementação de programas de governo: em foco o Programa Nacional do Livro Didático. Educação e Sociedade, Campinas, v. 21, n. 70, p. 159-170, 2000.
LORENZONI, C. A. C. de A.; SILVA, C. M. S. Geometria em práticas e artefatos das etnias Tupinikim e Guarani do Espírito Santo. In: Anais do EBRAPEM – Encontro Brasileiro de Estudantes de Pós-Graduação em Educação Matemática, 2008, p.217-232.
MELO, J. S. C. VERA, M. M. CUNHA, A.C. Formação de professores indígenas: estratégias para o ensino de ciências e biologia. Curitiba, 2 ed, CRV, 2019.
MELLO, G. N. de. Educação escolar brasileira. Porto Alegre: Artmed, 2004. p. 65-70.
MELIÁ, B. El Guaraní: experiencia religiosa. Asunción: Centro de Estudos Antropológicos, 1979.
MOLINA, O. Quem engana quem? Professor x livro didático. Campinas: Papirus, 1987.
OREY, D. C.; DOMITE, M. C. S. Etnomatemática: papel, valor e significado. In: RIBEIRO, J. M.; DOMITE, M. C. S.; FERREIRA, R. (Org.). Etnomatemática: papel, valor e significado São Paulo: Zouk, 2004.
RIBEIRO, F. D.; LEONARDI, R. M. Educação Matemática nas Séries Finais do Ensino Fundamental. In: Anais do VIII Encontro Nacional de Educação Matemática: Relato de Experiência – GT2: Recife – PE, 2004, p. 1-13.
SANTOS, B. L. T. M., CALDEIRA, A. D. Educação Escolar Indígena, matemática e cultura: a abordagem etnomatemática. Revista Latinoamericana De Etnomatemática Perspectivas Socioculturales De La Educación Matemática, San Juan de Pasto, Colombia, 2011,V4(1), p. 21-39.
ZABALA, A. Enfoque globalizado e pensamento complexo: uma proposta para o currículo escolar. Tradução de Ernani Rosa. Porto Alegre: Artmed, 2002.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Eventos Pedagógicos

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
O conteúdo deste periódico está licenciado sob CC BY-SA 4.0 (Atribuição-Compartilha-Igual 4.0 Internacional)[1]. Esta licença permite que os reutilizadores distribuam, remixem, adaptem e desenvolvam o conteúdo em qualquer meio ou formato, desde que a atribuição seja dada ao criador e que o conteúdo modificado seja licenciado sob termos idênticos. A licença permite o uso comercial.
[1] Para ver uma cópia desta licença, visite: https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/deed.pt_BR.
